out 04

O FIM DE UM CALVÁRIO

Era 21 de novembro de 2009, um sábado à tarde de futebol no estádio Plácido Aderaldo Castelo, o Castelão.

Às 18h02m o Fortaleza Esporte Clube dava até logo para a segunda divisão do futebol brasileiro, e amargava seu paladar com choro e tristeza por manchar sua história com esse descenso. Quisera o destino que naquele mesmo ano, o time presenciasse a ascensão do seu rival (Ceará S.C.) para a divisão de elite do nosso futebol.

Gritava as matérias de todos os jornais:

“Ceará S.C. sobe para a Primeira Divisão enquanto o Fortaleza E.C. cai para a Terceira.”

Essa manchete estampava a pior de todas as segundas-feira.

O mesmo Fortaleza E.C (talvez nem tão o mesmo, já que inúmeros de seus jogadores haviam sido varridos pelas oportunidades melhores que sempre assombraram o futebol cearense) que naquela década já tinha conseguido o acesso à Primeira Divisão por duas vezes, agora iria descer e desceria profundamente para aquela divisão chamada “inferno”, e lá imaginamos passar apenas um ano corretivo. Não foi bem assim!

 

Muitos jogadores foram embora, outros chegaram, e assim começava o ano de 2010, diga-se de passagem um ano histórico, pois o time conseguia seu primeiro e único tetracampeonato cearense, vencendo nos pênaltis seu rival Ceará.

Mas na série C não foi tão bem assim, ficava pelo caminho ao ser eliminado pelo Águia de Marabá ainda na fase de classificação quando somente o primeiro e o segundo lugar passavam para a fase final do campeonato.

 

Em 2011 viveu seu pior momento na série C, o quase rebaixamento, salvo por uma goleada sobre o CRB na última rodada.

Especulou-se na época uma possível “mala branca” para o CRB facilitar o jogo. Bom, nada sabemos com exatidão sobre o caso.

 

O ano de 2012 foi impecável na fase de grupos, uma única derrota em 18 jogos, o Fortaleza varria todos os adversários. “Agora vai!”, pensamos. 1 x 1 contra o Oeste fora de casa, e no estádio Presidente Vargas lotado, o time era varrido pelo Oeste, 3 x 1! E, pela primeira vez batia na trave o doce gosto da classificação.

 

Vinha mais um ano no inferno, 2013 foi irregular. Como sonhávamos em novamente jogar bonito, sem perder! Mas perdemos e perdemos aos 47 do segundo tempo, ainda na fase de grupos, e dessa vez o Sampaio Corrêa foi o carrasco, decepando nossos sonhos.

O time era envolto em raiva e desconfiança de seus torcedores, mas sempre havia uma semente dizendo que sairíamos daquele inferno.

 

2014 vem com tudo, tudo contra o Leão de aço, o seu rival chegava ao tetracampeonato cearense levando o Fortaleza ao abismo de 4 anos sem ganhar nada.

Vem a série C, e com uma campanha beirando a perfeição, o time de Marcelo Chamusca passa em primeiro do grupo, e depois de um 0 x 0 com o Macaé fora de casa, vem para um Castelão com mais de 60 mil torcedores e perde por 1 x 0, vendo pela segunda vez aquele mesmo doce de 2012 escorrer por seus lábios.

 

Acho que deveríamos nos contentar em jogar a série C, não acha? Não!

 

2015 era o ano que seu rival tanto esperava, enfim eles poderiam ganhar o pentacampeonato, algo nunca ganho no Campeonato Cearense. O Leão do Pici jogava pelo empate, mas aos 47 minutos do segundo tempo, naquela final com um Ceará S.C. ganhando por 2 x 1, vem o empate pelos pés de Cassiano e assim decreta o final de um sonho para seu rival e um acender de uma nova chance para seus torcedores amar um pouco mais seu time.

Novamente Chamusca a frente do Leão, novamente campanha impecável, mas esqueceram de combinar isso com o Brasil de Pelotas, que dentro de sua casa ganhou do Fortaleza E.C. por 1 x 0. E, ao se deparar com um Castelão esbarrotado de torcedores leoninos, o Brasil segurou o Leão, que foi eliminado com um 0 x 0 amargoso.

Viramos o time do “quase”.

 

2016 somos bicampeões cearense, na série C Marquinhos Santos faz um bom campeonato mas ao terminar a fase de grupos, abandona o barco se transferindo para o Figueirense, não tendo sucesso e sendo rebaixado naquele mesmo ano. Hemerson Maria assume o Fortaleza, que empata em 0 x 0 fora de casa com o Juventude, novamente em um Castelão esbaforido de torcedores, passando a casa dos 60 mil, o Fortaleza fica no empate de 1 x 1 e vê mais uma vez a classificação escapar.

 

2017 chega de uma forma horrível, o time nem sequer chega na final do cearense, é eliminado em todos os campeonatos e com o início da terceira divisão, os torcedores já viviam um primeiro trimestre sem esperança e já dando por certo mais um ano no inferno chamado série C. O time não convence, trocamos de técnico três vezes, mas é com a chegada do técnico Antônio Carlos Zago, carrasco do ano passado com o Juventude, que o Fortaleza começa a ganhar forma nos últimos três jogos da fase de grupos. Com o perigo de não se classificar, o time passa em terceiro colocado, disputando pela primeira vez a classificação fora de casa e não é que isso deu certo.

Ganhamos de 2 x 0 em casa, e fomos pra Juiz de Fora podendo perder por até um gol de diferença, e assim foi. Pressão de um Tupi sedento por gol nos primeiros minutos e nos últimos também, aos 38 do segundo tempo o time de Minas faz 1 x 0, começamos a imaginar o pior, será que iríamos morrer novamente na praia? Será que esse time desacreditado iria constatar nossa frustração?

Não.

Apita o juiz, acaba o jogo, a angústia, o desespero, a tristeza e a vergonha que por 8 anos nos acompanhava.

Voltamos para a segunda divisão, voltamos.

 

O campeonato continua, inclusive ganhamos a primeira sobre o Sampaio Corrêa, podemos ser campeões novamente, já que fomos campeões lá em Juiz de Fora. Fim de um inferno e da disputa do tenebroso mata-mata na terceira divisão.

Adiós, nunca mais queremos voltar e aos que forem para esse calvário, boa sorte! Vão precisar.

Deixo uma pergunta: Você ama o seu clube ou você somente acompanha suas vitórias?

 

Ass: O torcedor.

 

 

Manoel Mendonça
Designer Gráfico
Fortaleza-CE
“Enxamista” da boa fuleragem, invocado no Super Nintendo, arroxado em um bom futebol e cearense nato do “aí dento!”.

 

 

  • Raphael Alexandre

    Muito bom Manoel

    • Manoel Mendonça

      Valeu, Raphael.
      Esse texto estava entalado na garganta dos torcedores há muuuuiito tempo.
      (;